DA XENOFOBIA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Depois de trazer dois artigos sobre o Humanismo e a Humanidade, achei necessário trazer a Xenofobia, que contraria ambas, pois materializa a aversão e até à hostilidade seres humanos diferentes entre si. Com isto, completo uma trilogia antropológica.
Tudo começou no mundo primitivo quando, segundo antropólogos pesquisadores do período pré-histórico da humanidade, os primeiros humanos demonstraram medo ao desconhecido, aos fenômenos da Natureza e às clãs sem familiaridade, o que resultou em estereótipos negativos ao idioma desigual e às culturas distintas.
Isso facilitou a desumanização do “estrangeiro”, manifestada de diversas formas, mas sempre associada as disputas por território, poder ou riquezas.
Atingindo o grau civilizatório, a História registra que na Antiguidade gregos e romanos consideravam os povos além fronteiras como “bárbaros”, enquanto dominavam e marginalizavam nações conquistadas.
Ainda na Europa, com o triunfo imperialista do cristianismo, nasceu o poder da Igreja Católica que, na Idade Média e nos primórdios da Era Moderna, trouxe perseguições religiosas, expulsões de minorias heréticas e o colonialismo com cruéis períodos de discriminação e preconceitos contra povos estrangeiros.
Nos séculos XIX e XX, o extremismo nacionalista e teorias raciais excludentes resultaram em tragédias presentes nas duas guerras mundiais e sacrifícios humanos praticados nos campos de concentração nazistas.
A Xenofobia continua presente atualmente mundo afora, frequentemente relacionada aos fluxos migratórios, às crises econômicas e aos conflitos racistas. Como verbete dicionarizado é substantivo feminino com origem no grego clássico, formada pela junção de dois termos: Xénos que significa estrangeiro ou estranho, e Phóbos, que traduz medo.
De acordo com as ciências sociais, a principal causa das manifestações xenófobas é a permanência no inconsciente coletivo do medo primitivo ao desconhecido, processo que se mantém pela falta de políticas públicas inclusivas.
Assim, a aversão, hostilidade e o repúdio contra pessoas além dos limites da própria circunscrição são condenáveis; torna-se difícil, porém, evitar que se mantenha entre os povos que foram colonizados.
Os processos mentais do inconsciente coletivo foram deixados como herança na África, na Ásia e na América Latina e Caribe, pelos colonizadores europeus responsáveis pelas rivalidades políticas impostas aos nativos.
Deste lado do Atlântico, os conquistadores perpetuaram a Xenofobia na memória dos povos pela exploração econômica, o poder abusivo sob o jugo da governança colonial e a negação da cidadania, da dignidade e da liberdade,
Segundo educadores e historiadores a colonização lembra a usurpação histórica dos direitos individuais, como o fundamento dos movimentos independentistas que promoveram a formação de países republicanos na América do Sul, e mais tarde nas Guianas.
No Brasil, além da exploração de nossas riquezas por Portugal, recorda a distribuição de capitanias hereditárias para os favoritos da corte lusitana, todos ambiciosos e convivas de degredados notórios pela cupidez.
Dos “capitães” escravocratas, veio o coronelato, extensão política da exploração da negação dos direitos humanos, do trabalho semelhante à escravidão e aa cobiça pelo patrimônio público, pela duradoura política familiar em vários estados federativos.
Desta situação surgiu uma irmã gêmea da Xenofobia, a Misoginia, igualmente saída de uma clínica clandestina de abortos; ambas são apadrinhadas por parlamentares corruptos e tendo como madrinha a Justiça, cuja avidez pelo enriquecimento chega à venda de sentenças.
Estas irmãs siamesas maléficas são protagonistas da política wokeísta do populismo da falsa direita e da falsa esquerda, bolsonaristas e lulopetistas, responsáveis pela divisão criminosa da nacionalidade.
Contra isto, precisamos fortalecer a Educação e o diálogo intercultural, para proteger os direitos humanos e promover a convivência fraternal entre os brasileiros originários de etnias diversas.
David Beckham sobre a atuação de Messi
David Beckham sobre a derrota por 2x 1 da Inglaterra para a Argentina, diz que Messi é o MELHOR Jogador de todos os tempos: “O futebol tem uma forma poética de completar suas próprias histórias. A Inglaterra uma vez viu a Mão de Deus… esta noite, testemunhou o Pé Esquerdo de Deus. Messi não só jogou a partida, ele a dirigiu como um maestro liderando uma orquestra. Cada toque era uma frase, cada passe era uma obra-prima, e essas duas assistências foram pinceladas na tela maior do futebol. A gente passa suas carreiras perseguindo a grandeza. Messi passou sua carreira redefinindo-a. Quando a pressão atinge seu ponto mais alto, ele se torna o homem mais calmo no estádio. Esse é um dom que você não pode treinar, não pode comprar, e certamente não pode se defender contra ele. Eu joguei com e contra alguns dos melhores jogadores que esse esporte já viu, mas o que Lionel Messi continua fazendo no palco mais grandioso está além das estatísticas, é um legado escrito em tempo real. Noites como esta não são apenas vitórias; são capítulos na história do futebol. Para mim, o debate acabou. Lionel Messi não é apenas um dos melhores jogadores de todos os tempos… ele é o melhor jogador de todos os tempos.”
DAS CORRIDAS
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
O genial Luís da Câmara Cascudo, intelectual norte-rio-grandense, antropólogo e folclorista, que tive a honra de conhecer pessoalmente, registrou a história da corrida entre o Coelho e o jabuti, exemplo da nossa cultura indígena perpassada pela tradição oral.
A narrativa leva ao Festival dos Bichos onde os organizadores programaram a disputa do Coelho e o Jabuti, com o propósito claro de punir a bazófia do cascudo, lento demais, mas exibido.
Percebendo a maquinação contra si, o jabuti, inteligente, resolveu trapacear o rival orelhudo, cuja velocidade na corrida é imensa, conquistada aos saltos; então, reuniu os parentes, todos parecidos entre si, e mandou-os esconder-se espaçadamente ao longo do percurso.
Iniciada a competição, nos primeiros cento e cinquenta metros, o Coelho, grita: – “Jabuti, onde você está?”; e o parente, que se encontrava à frente, responde: – “Estou aqui!”. Então convencido de que o Jabuti está à sua frente, pois a situação se repetia a cada milha, o Coelho acelera cada vez mais, correndo desembestado até ficar completamente exausto e, no final da corrida, o último dos jabutis atravessa a linha de chegada e é declarado vencedor.
Essa lenda tem muitas variações entre diferentes povos indígenas e integra um rico conjunto de histórias em que o Jabuti simboliza a astúcia e esperteza. É uma pena assistirmos o abandono desses preciosos contos proverbiais silvestres, cuja memória precisa ser preservada.
A mitologia dos povos gentios encantou os jesuítas que vieram com conquistadores, e muitas dessas narrativas foram adaptadas como catequese, ressaltando o martírio de Jesus, a vida dos santos e a doutrina católica.
Na corrida do Coelho e o Jabuti, encontramos uma variável necessária para simbolizar disputas. A História da Humanidade registra o exemplo da Maratona, que honrando a sua memória programa corridas realizadas no Rio aos domingos, no Parque do Flamengo.
É outra lenda, que vem das antigas tradições gregas ligadas à Batalha de Maratona ocorrida em 490 a.C., quando os gregos derrotaram os persas. A narrativa traz à cena o general ateniense Milcíades que, após o feito, encarregou um jovem soldado, Fidípides, de levar à Atenas a notícia da vitória; e a missão era urgente, pois havia o temor de que a população pensasse na derrota e abandonasse a cidade.
Fidípides percorreu cerca de 40 quilômetros correndo e, ao chegar, anunciou aos atenienses na Ágora: – “Vencemos!”, e morreu logo em seguida, exausto pelo esforço.
Embora alguns historiadores contestem esse relato, o feito heroico conquistou o Esporte e inspirou a criação da Prova de Maratona nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, em 1896. A distância oficial de 42,195 km foi fixada posteriormente, em 1908, tornando-se um dos maiores símbolos de resistência, coragem e superação individual.
Vagueando pela memória histórica das lendas e interpretações presentes na cultura popular dos povos mundo afora, reflete-se uma imensa e rica diversidade que devem ser estudadas, divulgadas e preservadas, valorizando sempre o seu valor proverbial.
É triste, porém, que as corridas realizadas pela politicagem brasileira, revela coisas que nos envergonham, sem a astúcia dos jabutis nem o patriotismo de Fidípides. Mostram infelizmente, a falta de ética dos políticos engravatados, fardados ou togados, que ocupam os andares de cima do condomínio do poder.
Esta situação funesta da nacionalidade nos leva novamente às lendas indígenas, com uma delas inspirando o modernista Mário de Andrade a escrever o clássico romance “Macunaíma – o herói sem nenhum caráter”, publicado em 1928.
A corrida de Macunaíma para obter vantagens sem se esforçar para isto, mostra não somente a sua falta de moral, personifica um indivíduo mutável, sem identidade fixa, trazendo os traços dos ancestrais do povo brasileiro.
“Heróis sem nenhum caráter” nós temos de dar e sobrar. O DNA dos aventureiros, dos degredados e dos favoritos da Corte Portuguesa que aqui se assentaram, compõe os indícios emblemáticos da ambição e o oportunismo praticados na polarização eleitoral da Famiglia Bolsonaro e Lula da Silva, populistas corruptos, covardes, imprudentes e mentirosos, que infelicitam a Nação Brasileira. Chega.
DA HUMANIDADE
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Depois de escrever sobre o Humanismo, com mais de 50 notificações aplaudindo o texto, acho que é chegada a vez de escrever sobre a Humanidade, protagonista planetário do avanço humano na marcha pela civilização.
E tudo começou no século 18 com a filosofia de Augusto Comte, o Positivismo, que foi destinado a reorganizar a sociedade após a profunda crise provocada pela Revolução Industrial.
Herdeiro cultural de ascendentes paternos positivistas (meu bisavô Crisanto e meu avô Henrique foram mestres do Templo Positivista no Rio), sinto-me à vontade de falar sobre a matéria.
Comte foi um filósofo francês aclamado literariamente ainda bem moço com sua trilogia semiautobiográfica, “Infância, Adolescência e Juventude”, e na maturidade criou as bases do Positivismo em conformidade com a chamada Lei dos Três Estados: o Teológico, o Metafísico e o Positivo.
O objetivo de substituir explicações baseadas no sobrenatural pelo conhecimento fundamentado em fatos verificáveis, Comte propôs um sistema moral e cívico para preservar os valores de solidariedade, altruísmo e ordem social.
Assim nasceu a Religião da Humanidade que, como o budismo, é uma crença sem um deus humanizado, pondo no lugar simbólico de veneração a “Humanidade”. A sugestão nunca alcançou a dimensão das religiões tradicionais, mas deixou duradouro legado na Ciência Sociológica e na organização das instituições modernas.
Entrando na nossa História, a ideia chegou ao Brasil na 2ª metade do século 19, com enorme aceitação entre intelectuais republicanos e oficiais do Exército, estes últimos sob a influência de Benjamin Constant, professor, e principal articulador ideológico da Proclamação da República, por isto alcunhado de “Fundador da República”.
Após a Proclamação, os princípios positivistas inspiraram a organização do novo regime e marcaram a chamada Primeira República; sua influência permaneceu simbolizada na Bandeira Nacional, no lema “Ordem e Progresso”, inspirado na máxima de Comte: “O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim”.
A intelectualidade brasileira estendeu o Positivismo por muitos anos, associado à defesa da Democracia, dos Direitos Humanos, da Justiça Social e do respeito à Dignidade da Pessoa.
Houve até uma época em que os marxistas brasileiros (Luiz Carlos Prestes, inclusive) traziam ideologicamente matizes positivistas, como hoje os comunistas chineses misturam Marx com Confúcio….
Apesar do Humanismo ser parte programática de diferentes matizes políticas, liberais, social-democratas e democratas-cristãos reivindicando seus princípios, interpretam-no fora do contexto positivista, a organização social para o bem-estar humano, a convivência pacífica, educação integral da cidadania e uma Justiça íntegra.
Vê-se assim que o Humanismo permanece como uma referência ética e filosófica reconhecendo Comte como um dos fundadores da sociologia, pioneiro da ideia de que o conhecimento científico é eficaz para construção de uma sociedade racional.
Mais do que a Filosofia Sociológica, o Positivismo reuniu na Europa e nas Américas todos os conscientes defendendo que o progresso civilizatório da Humanidade seria melhor com o modelo republicano e democrático.
Pena que a mediocridade triunfante leva os atuais chefes de nações europeias ao funesto populismo, aceito pelos povos arrebanhados pela propaganda maciça. Vê-se principalmente entre nós, latino-americanos, levando-nos à definição de Roberto Campos: “O que os governos populistas latino-americanos desejam é um capitalismo sem lucros, um socialismo sem disciplina e investimento sem investidores estrangeiros”.
Pela Geopolítica e a Sociologia não fica difícil avaliar que esta insanidade político-ideológica traz na sua essência o desprezo pelo Humanismo. Não há exemplo melhor do que temos no Brasil: uma estúpida polarização eleitoral com o confronto fingido dos populistas corruptos, a mafiosa Famiglia Bolsonaro e o desonesto pelego Lula da Silva.
DO HUMANISMO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Conhecido dos amantes da leitura pelos romances Guerra e Paz e Anna Karenina, o escritor russo Leon Tolstói fez incursões pela Filosofia e, ao meu modo de ver, foi quem melhor definiu o Humanismo com uma frase antológica: “Se você sente dor, você está vivo. Se você sente a dor das outras pessoas, você é um ser humano”.
O alcance do Humanismo é profundo. Trata-se de uma corrente de pensamento que coloca o ser humano, sua dignidade, sua razão e sua capacidade de agir no centro das reflexões éticas, filosóficas, políticas e sociais.
Como verbete dicionarizado, a palavra Humanismo é um substantivo masculino derivado do latim “humanitas”, termo utilizado na Roma Antiga para designar a formação cultural, moral e intelectual do indivíduo.
A História da Civilização capitula que aproximadamente entre 45 mil e 40 mil anos atrás tivemos a total transição do neandertais para o homo sapiens, após conviverem por um período em que houve contato direto e cruzamentos entre as duas espécies, fato comprovado pela análise de DNA.
Com a evolução civilizatória, o homo sapiens – nós, hoje -, criou a Filosofia e chegou ao Humanismo, uma corrente cultural que torna o ser humano e os valores individuais acima de todas as coisas, tornando-se o centro da vida política e social.
Esta ideia renasceu das mentes iluministas na Europa do século 18, obedecendo ao princípio de que todos os seres humanos possuem direitos naturais, como a vida, a liberdade e a busca da felicidade.
Poucos anos depois, a Revolução Francesa difundiu o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, que se tornou referência para diversos movimentos democráticos.
Atravessando o Atlântico Norte este avanço intelectual influenciou a independência das Treze Colônias britânicas na América do Norte, culminando na Declaração de Independência dos Estados Unidos, de 1776, tendo Benjamin Franklin um dos principais líderes do movimento, ao lado de Thomas Jefferson e John Adams.
Também no Brasil, refletiu a compreensão humanista do Iluminismo, inspirando a Revolução Pernambucana em 1817 e a Confederação do Equador, em 1824, que defenderam os princípios de liberdade, soberania popular, igualdade perante a lei e limitação do poder absoluto. Nossa História destaca a figura ímpar de Frei Caneca, defensor de que somente eleito pelo povo, o poder teria legitimidade.
Embora ambos os movimentos humanistas brasileiros tenham sido duramente reprimidos, deixaram um importante legado para a formação do pensamento liberal, constitucional e democrático no País, chegando na chamada Primeira República com a oficialidade militar, intelectuais e a burguesia urbana que adotaram o lema positivista “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”, materializado na Bandeira Nacional.
É impossível negar que adotando a Democracia como circunstância dos direitos humanos e a limitação do poder do Estado, o Humanismo tornou-se uma doutrina que alicerça o Estado Democrático de Direito.
Assim, estabelecendo que o ser humano é a medida de todas as coisas, o Humanismo destaca a sua dignidade como pessoa, a sua liberdade como razão de ser e seu poder de agir no centro das reflexões filosóficas, éticas e sociais.
Por consequência ideológica o Anarquismo, registra a defesa de uma sociedade sem dominação política e econômica, baseada na cooperação voluntária, na igualdade entre os indivíduos e na fraternidade como fundamento das relações sociais; tendo o contraponto de muitos religiosos humanistas com uma percepção que concilia a fé, a educação e o desenvolvimento das capacidades humanas.
Infelizmente, na política contemporânea globalizada e mediocrizada, o Humanismo sofreu a distorção demagógica do populismo que o dissociou da defesa da liberdade de consciência e de expressão, para utiliza-lo de maneira distinta: cria pessoas de segunda classe, dependente dos governos em vez de dar-lhes os direitos civis.
É isto que vemos no Brasil de hoje; a alternância no poder entre populistas fingindo o enfrentamento, auto assumidos como de “Direita” e de “Esquerda” para iludir quem não aprendeu o que é o Humanismo, nem dar atenção aos direitos humanos.
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DO CROCHET
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Insisti em intitular este texto em francês para evitar a disputa na acentuação da palavra no brasilês que aparece regionalmente com o agudo Croché ou com o circunflexo, Crochê. O verbete dicionarizado, é um substantivo masculino de etimologia francesa, “Crochet”, que significa gancho, por causa do formato da agulha com uma ponta curvada, usada no uso de uma tecelagem com fios de lã, algodão ou barbante.
É um trabalho manual que requer uma técnica especial para o movimento das agulhas e muita paciência para entrelaçar fios contínuos e criando malhas usadas na confecção de diversos utensílios domésticos e vestuários.
Este processo manual de tecelagem de boinas, tapetes e peças decorativas. É incerta a sua origem, a bibliografia histórica desta arte registra que o seu surgimento se deu na pré-história; e alguns pesquisadores têm a teoria que levam à China aonde foram encontradas bonecas feitas com ela, e outros mais aceitam o seu início na Arábia.
Uma coincidência incitou-me a curiosidade sobre o crochê. No Ginásio, ganhei um concurso promovido pela Cadeira de História Geral proporcionando-me uma bolsa para assistir um curso sobre a Revolução Francesa em Paris, com tudo pago.
As paredes do quarto que aluguei eram forradas com crochê, acho que para a acústica; e a pousada era próxima à Place de la Concord, local aonde foi instalada em 20 de setembro de 1792 a Convenção Revolucionária, eleita após a queda da monarquia para criar uma Constituição.
Foi neste evento que nasceu os conceitos políticos-ideológicos de Centro, Direita e Esquerda, graças à localização das bancadas no anfiteatro que marcou uma intensa luta pelo poder; os girondinos (Direita) propunham uma monarquia constitucional; os jacobinos (Esquerda) defendiam a República Democrática; e o Centro, comedido, oscilava de acordo com as propostas apresentadas.
No início dos trabalhos (chamado pelos historiadores como Primeiro Período) prevaleceu a ética parlamentar e um verdadeiro concurso de oratória em que se distinguiram, à direita os conservadores Jean-Marie Roland, o Marquês de Condorcet e Pierre Victurnien Vergniaud; e à esquerda Robespierre, Marat e Danton os representantes da pequena burguesia revolucionária.
O Segundo Período marcou a manifestação mais realçada do Centro composto de intelectuais burgueses que desejavam a união de todos os republicanos. Esta união se tornou impossível pela pressão dos deputados de esquerda levados à radicalização impulsionados pelos chamados “exércitos populares”.
Assim o extremismo passou a dominar o Terceiro Período. À Esquerda, os “calças frouxas” (sains cullottes) exigiam o sufrágio universal, a reforma agrária, o tabelamento de preços de alimentos e certas frações até a abolição da propriedade privada.
O radicalismo derramou o caldo efervescente da disputa ideológica, disputando com a Direita que postulavam o voto censitário, a proteção à propriedade privada e o liberalismo econômico, terminando por conquistar a simpatia do Centro.
Viu-se então as posições mais moderadas e o receio de uma segunda revolução deram uma maioria eventual para limitar os avanços constitucionais instalando a República como queria o Centro ou a volta da monarquia com caráter constitucional.
A agitação das massas nas ruas e a mobilização dos exércitos populares armados, deu à ala esquerdista voltada contra uma intervenção estrangeira coordenada pela Inglaterra. Maximilien de Robespierre, exigiu a instauração de uma ditadura e, assim, surgiu o “Período do Terror”.
O republicanismo radical de Robespierre permitiu o avanço da extrema esquerda que tornou, o período mais sangrento da Revolução entre 1793 e 1794. Instalado para executar o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta, um instrumento letal projetado para uma morte rápida por decapitação – a Guilhotina – tornou-se o principal móvel de execução.
E, depois de executar os monarcas e a alta nobreza, passou a perseguir suspeitos de conspirar contra a República, terminando por atingir também seus próprios líderes; donde vem a máxima do jornalista Jacques Mallet du Pan que escreveu: “Assim como Saturno, a revolução devora seus próprios filhos”.
Sentadas ao pé do cadafalso, juntavam-se as famosas tricoteiras e crocheteiras, mulheres do povo, ligadas aos revolucionários mais radicais. Elas acompanhavam tecendo a queda das cabeças decapitadas, tornando-se o símbolo da participação popular na Revolução.
Representantes da mobilização política do povão, as nossas crocheteiras certamente participarão conosco, brasileiros honestos e verdadeiros patriotas, quando a polarização eleitoral dos populistas corruptos for corporificada e levada à guilhotina eleitoral.
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DA ORIGEM
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Mensagens levadas ao meu Blog que trazem correções, críticas, elogios, reparos e supressões, muito me agradam; e estou disposto a aceitar qualquer comentário negativo e orgulhar-me do aplauso, como o que recebi no último artigo.
Sempre que posso (os azáfamas provocados pela idade me impedem) respondo ao interlocutor. No artigo em referência, “Das Contradições”, por exemplo, recolhi cinco respostas; uma delas, citada acima, veio do professor José Carlos Bortoloti.
Duas outras também trouxeram aprovação, e as restantes, críticas. Como não estou autorizado a revelar nomes fica no anonimato quem me chamou de ateu e me levou a uma lembrança de Denis Diderot sobre tal inquisição: “Perguntaram um dia a alguém se havia ateus verdadeiros. – ‘Você acredita’, respondeu ele, ‘que haja cristãos verdadeiros’?”.
Vou além. A verdade é que não cultuo um deus que o homem, em seu orgulho, criou à sua imagem e semelhança; uma divindade que resolve problemas pessoais, que elege um povo como favorito e quer ser louvado todo tempo. Fico com Spinoza, aceitando o deus que ele chama “Alma do Universo”, e se espelha na Natureza.
Quanto à última asserção, ah! esta foi contundente. Atacou-me defendendo a tese de que o homem foi feito de barro pelo Criador, que tirando dele uma das costelas, fez a mulher; considerei esta assertiva como a possibilidade contraditória que explorei no texto que provocou o ataque.
Considero lamentável que no século 21 alguém prefira ficar com as fantasias das Mil e Uma Noites judaicas em vez de admitir os estudos científicos do cosmos que tornaram indesmentível que os planetas, entre eles a Terra, se formaram de uma matéria gasosa sideral como poeira.
A Ciência prova que o nosso planeta, trouxe na sua estrutura astral a presença de amoníaco, hidrogênio, metano e oxigênio nas suas águas, o que favoreceu a formação dos hidrocarbonetos simples, fundamentais para criar substâncias orgânicas.
A vida, mesmo nas suas diferenças consideráveis, se desenvolveu nas águas, no ambiente marítimo, segundo escreveu H. G. Wells: “(Então), as plantas já eram plantas e os animais, animais”.
Oriundos dos microrganismos surgiram os invertebrados aquáticos como as algas e as bactérias, e, sobrevivendo há bilhões de anos, caracóis, medusas e águas-vivas; estas últimas, que nos queimam nos banhos de mar, são o exemplo mais do que perfeito das espécies orgânicas precedentes.
A água-viva tem a aparência de um guarda-chuvas translúcido, que se confunde com a água; não possui cérebro, sistema circulatório, órgãos para respiração ou para excreção; seu sistema nervoso é difuso e a boca localiza-se na parte inferior do corpo.
Posteriormente, na abundância da vida marítima destacaram-se os moluscos, mariscos e ostras, revestidos com uma concha calcária e alimentando-se de seres minúsculos e fosforescentes como os planctos.
Estes crustáceos, à maneira dos caranguejos como conhecemos atualmente, sofreram modificações e com tal diferenciação saíram d’água com guelras adaptadas para sobreviver no seco. A seguir vieram os anfíbios, aves e répteis passando pelo mesmo processo de emancipação.
Assim, cerca de 225 a 200 milhões de anos, na primeira etapa da Era Paleozoica, peixes anfíbios transformaram-se em vertebrados terrestres, com esqueleto e condições respiratórias pulmonares, evoluindo dos ancestrais reptilianos. Mais tarde, no final do Período Triássico, surgiram os primeiros mamíferos.
Os mamíferos se diversificaram e passaram a dominar praticamente os ambientes terrestres e, após 7 e 6 milhões de anos depois, segundo a Paleontologia, apareceram na África os hominídeos, com características de bipedismo.
A partir desses ancestrais primitivos, ocorreu a longa evolução que conformou o gênero Homo, avoengo do ser humano moderno. Este sou eu, somos todos nós, seres humanos viventes no planeta, inclusive quem desconsidera a Ciência.
Considero, porém, tedioso manter uma discussão sobre questões de fé; prefiro pensar no porquê o ciclo civilizatório atual não se despir de fantasias, assumir a fraternidade social e viver em Paz.
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DOS SINAIS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Jornalista por vocação, fazendo folhetins na pré-adolescência e indo aos 17 anos à redação de órgãos em circulação (“A Manhã” e “Diário Trabalhista”, Rio de Janeiro), tive a rara oportunidade de acompanhar todos processos de impressão, da tipografia por composição manual, (“Evolução”, Campina Grande, PB), a Linotipia (“Tribuna Capixaba”, ES, e “Tribuna do Norte”, RN), Offset (“Correio da Manhã”, RJ, e “Tribuna do Norte”, RN) chegando à diagramação virtual no alemão “Die Welt”, Colônia).
Participei assim do sistema gutemberguiano do uso primário de tipos móveis, do linotipo e da impressão direta em rotativas. Vibrei com as primeiras composições de padrão industrial para grandes tiragens automatizadas, e o gerenciamento de cores, na Editora Abril (“Realidade”, “Cláudia”, “Revistas Técnicas”).
Esta evolução da gráfica levou-me ao aprendizado dos sinais usuais da escrita, ponto, vírgula, ponto e vírgula, mais e menos, sublinhado, igualdade, apóstrofes, aspas, hífen, parênteses, exclamação, interrogação, e os acentos agudo, circunflexo e grave….
Deixo ao professor gaúcho José Carlos Bortoloti, escritor, poeta e criador do neologismo “brasilês”, a discussão sobre a abolição no nosso idioma do acento Trema pela implementação do Novo Acordo Ortográfico das nações lusófonas…. Antes, tínhamos a letra “Ü” acentuada em palavras como agüentar, bilíngüe, cinqüenta, freqüente, lingüiça, pingüim, seqüestro e tranqüilo; mas todas perderam o Trema.
Saindo do fluxo da impressão gráfica, vamos à História da Civilização, que registra os estudos antropológicos dos sinais da mente humana mostrando que as sociedades primitivas observavam nos fenômenos da Natureza sinais favoráveis ou ameaçadores.
Está comprovado que antes do desenvolvimento da ciência moderna a observação da Natureza constituía uma das principais formas de imaginar o destino das pessoas e a relação entre a humanidade, o cosmos e o sagrado.
Assim, na passagem do primitivismo à civilização, firmaram-se as religiões, pregando indícios da benevolência dos deuses no nascer do Sol e nas chuvas regulares; tendo também, em contrapartida, advertências e castigos vindos dos poderes sobrenaturais com eclipses, enchentes, secas e terremotos.
Daí surgiram lendas e mitos com o trovão associado à voz da divindade e as chuvas simbolizando fertilidade e renovação da vida. Estes sinais ajudavam a dar sentido ao desconhecido e fortalecerem a coesão social, com narrativas para explica-los e orientar a vida social.
No judaísmo, cristianismo e islamismo, tais sinais são evidentes convites à fé, à reflexão moral e à aproximação de Deus; oferecendo igualmente riscos pelo afastamento dos valores morais. Lê-se a revelação do Apocalipse na Bíblia, a ideia do fim dos tempos e o julgamento, a renovação e a restauração da ordem celestial.
Desprendendo-nos da realidade histórica, temos os sinais de embelezamento pessoal, como o sinalzinho sobre o canto da boca comum entre as antigas divas do cinema mudo para acentuar a sensualidade; e teve milhares de seguidoras. Modernamente um desses charmosos pontinhos foi composto na linda face de Marilin Monroe…
Em confronto com a beleza, a feiura se faz presente com as calamidades que causam destruição, crises morais, guerras, injustiças e terrorismo, práticas que mutilam a esperança de vivermos em paz e segurança, com fraternidade e mútuo respeito às divergências pessoais.
Esta cultura teria um forte conteúdo simbólico, incentivando a responsabilidade individual e novos processos sociais e políticos, capazes de estabelecer uma sociedade justa e pacífica derrotando quaisquer manifestações terroristas ao primeiro sinal da criminalidade.
É fundamental, porém, distinguir o terrorismo do crime comum, cujo objetivo costuma ser o lucro, enquanto o terrorismo busca influenciar comportamentos, decisões políticas e impor-se à ordem social pela intimidação.
As características do terrorismo, são a radicalização de grupos, o uso de indivíduos infiltrados na mídia e em órgãos governamentais, participação nos eventos sociais e artísticos para captar simpatia, lavar dinheiro, recrutar agentes e estudar alvos de visibilidade pública para atentados, sequestros e assassinatos.
Temos um exemplo recente destes elementos numa reportagem sobre os condomínios do programa “Minha Casa, Minha Vida” na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro, em território ocupado pelo Comando Vermelho (CV). Logo após a entrega das chaves, criminosos passaram extorquir os proprietários cobrando taxas de ocupação.
Lembram da piada do “dá ou desce”? Pois é, está acontecendo; quem se recusa deve abandonar o sonho da casa própria, logo invadida por pessoas dispostas a pagar.
Na presidência da República, refastelado em mordomias, Lula não enxerga o impacto psicológico e midiático que vem ocorrendo e discursa com a malandragem de pelego sindical um falso patriotismo fazendo do PCC e o CV a base da soberania nacional, assumindo pessoalmente ridículo e fazendo do Brasil objeto de escárnio na geopolítica internacional.
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DO TERRORISMO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
François-René de Chateaubriand, escritor, diplomata e político francês, considerado o pai do Romantismo, foi além da Literatura e filosofou: – “Não há nada mais servil, desprezível, covarde e tacanho que um terrorista”.
Realmente, nas ações belicosas é criminoso organizar-se e preparar-se para assassinar, extorquir, mutilar e sequestrar inocentes, sejam civis ou militares, como se vê em todo mundo e toma grandes proporções nos grandes centros brasileiros.
O Terrorismo não é novidade; as iniciais manifestações ocorreram com a disputa de territórios e bens quando as primeiras tribos nômades se apropriaram da terra estabelecendo a primeira divisão do trabalho, pelo cultivo do solo, a domesticação de animais, fabricando artesanias, comerciando, disciplinando guerreiros e imprimindo respeito religioso.
Segundo estudos antropológicos grupos que se mantinham nômades realizavam ataques às comunidades estabelecidas, fazendo-os como razias para aterrorizar, saquear, destruir e escravizar os prisioneiros.
Essas guerras de conquistas eram puro terrorismo, pois as tribos atraídas pela alimentação garantida e as riquezas acumuladas se dedicassem exclusivamente a conquistar as sociedades organizadas e produtivas.
Embora a palavra “terrorismo” seja moderna, historiadores veem que práticas semelhantes já existiam na Antiguidade. Na disputa pelo poder imperial, grupos armados recorriam ao medo, ao assassinato político e à intimidação coletiva para atingir seus objetivos.
Na Mesopotâmia, reis assírios e babilônicos utilizavam-se de massacres e destruição de cidades para espalhar pânico entre adversários e evitar rebeliões; e, mais tarde, vieram a ocorrer na Grécia e no mundo helenístico conspirações, atentados e violências organizadas contra governantes e ocupantes estrangeiros.
Chegando ao Império Romano, o Terrorismo ocorria principalmente nas províncias colonizadas, e o exemplo está na revolta dos Sicarii, no século I contra a presença romana na Judeia; utilizavam punhais escondidos sob as vestes para assassinar autoridades romanas e colaboracionistas judeus.
Muitos pesquisadores consideram a ação direta dos Sicarii um dos primeiros movimentos terroristas organizados da História, como forma de resistência contra o domínio estrangeiro.
Na Antiguidade Romana, o Terrorismo chegou com os vândalos, com a característica de devastar as nações invadidas, destruindo, incendiando e dilapidando bens públicos. Eram chamados de bárbaros pelos romanos, em virtude do princípio jurídico de que todos povos de além fronteira do Império eram considerados assim.
Chegando à atualidade nos fins da Guerra Fria, nos Estados Unidos, o seu 37º presidente, Lyndon Johnson, que criou a Great Society, uma política de combate à pobreza e à injustiça racial, denunciou o crime organizado como terrorista, praticando uma “guerra de guerrilha contra a sociedade.
Como ocorria à época nos EUA, temos no Brasil criminosos assaltando, extorquindo, contrabandeando, sequestrando, traficando drogas, ocupando territórios nos centros urbanos e até promovendo atos políticos.
A informação no nosso cotidiano traz notícias de operações policiais cumprindo mandados de prisão e de busca e apreensão em áreas dominadas pelo tráfico, sendo recebidas a tiros por grupos com armamento moderno de alto poder letal.
Estes grupos têm tudo de terrorismo, mas os andares de cima do poder no Brasil, legisladores, magistrados, ministros do governo, militares e policiais não veem assim; e o pior, o Presidente da República – que sempre mostra simpatias pelo crime –, decide transformar CV e o PCC em pilares da soberania nacional…
Diante disto, os 30% de lulopetistas que acompanham o seu ídolo, resistem ao fato do governo dos EUA incriminar como terroristas estas duas maiores facções criminosas ao lado da Al-Qaeda, Estado Islâmico (ISIS), Hamas, Jihad Islâmica e Talibã.
Diante deste quadro funesto cabe uma dúvida: porquê Lula, seus apadrinhados e a militância lulopetista temem classificar como terroristas as organizações criminosas? Ontem, 5 de maio, a classificação de Terrorismo passou a valer; e até agora nenhum togado do STF, nenhum ministro de Lula e nenhum parlamentar sofreram quaisquer ameaças. Assim a soberania está garantida.
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DOS GUARDIÕES
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Tem impressionado os cientistas políticos e historiadores independentes, provocando debates e aversão, o uso e abuso do epiteto “Guardiões da Democracia” usado por alguns ministros do STF para si mesmos, servindo até na propaganda televisiva do TSE (não sei prá quê TSE faz propaganda).
Assumir a guarda da Democracia faz parte do besteirol e da mediocridade dos condôminos que ocupam os andares de cima do edifício do poder. Despudorados, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o atual, Lula da Silva, também se assumiram como tal.
Exibem-se desejando protagonizar na literatura fantástica ou no cinema de ficção científica, mas será mais adequado participarem de histórias de quadrinhos nos gibis; como não se baseiam em fatos reais fica para si mesmos esta fantasia de auto elogio.
Ser guardião de alguma coisa sempre tem aparecido em obras e narrativas que não se baseiam em fatos reais ou na realidade estrita, tornou-se comum em obras artísticas, teatrais ou cinematográficas como “Guardiões do Universo” para designar seres, ordens ou civilizações encaradas como protetoras da ordem cósmica.
No cinema e na cultura pop, a ideia aparece associada a heróis espaciais, civilizações interestelares e defensores do destino da humanidade. Filmes e romances exploram a noção de que existem inteligências superiores observando a Terra e intervindo em momentos críticos.
Encontramos muitos exemplos desta definição nas histórias fantásticas de heróis editadas pela DC Comics da Warner Bros. Popularizou-se da DC os “Guardiões do Universo”, que são anciões imortais criadores e líderes da Tropa dos Lanternas Verdes, responsáveis por impedir guerras interplanetárias, invasões alienígenas ou o colapso do equilíbrio universal.
A versão cinematográfica dos anjos, deuses e titãs vem com os filmes “Abraxas, Guardião do Universo” (1991) e o filme “Gamera: Guardião do Universo” (1995) e “Lanterna Verde” (2011). Está anunciada uma nova produção trazendo de volta o He-Man lutando contra o Esqueleto e salva o planeta Eternia….
No filme russo “Cosmoball: Os Guardiões do Universo” se explora o lado psicológico das figuras angelicais no inconsciente humano que deseja e existência de protetores celestes intervindo na Terra.
Tratando-se de uma projeção moderna de mitos ancestrais, Cosmoball apresenta a chegada de uma gigantesca nave alienígena que é um estádio onde se realizam jogos espetaculares em competições intergalácticas com lutas de gladiadores.
“O mundo inteiro acompanha os jogos, como o faz atualmente nas copas mundiais de futebol. Quando chega a vez de representantes da Terra competirem, revela-se a intenção extraterrestre de conquistar o nosso planeta.
Um personagem, embora ignorando o papel especial que exercerá (que por coincidência lhe coube), o atleta Anton, participa do jogo final, e se torna o responsável pela nossa vitória e a salvação da humanidade”.
Esta projeção futurologista nos leva ao perder dos tempos e à História da Civilização, registrando a mitologia da civilização suméria com os Anunnaki, divindades que estão citadas em taboas da escrita cuneiforme como protetores dos seres humanos e criadores da escrita e da aritmética.
Na visão científica, antropólogos e arqueólogos veem os Anunnaki como figuras simbólicas da cosmologia sendo transmitidas aos povos mesopotâmios e influenciando os livros sagrados do judaísmo e do cristianismo. A Torá e os Evangelhos reconhecem a existência de seres espirituais como guardiões da vida terrestre.
Mantêm-se até hoje a crença em anjos (para os judeus, malach), como agentes da vontade divina que protegem as pessoas; e é voz corrente entre nós citar o “Anjo da Guarda” como nosso protetor.
Também no estreito ficcionismo da politicagem brasileira aparecem auto assumidos Guardiões da Democracia, tecnicamente preparados para defende-la, implantando (que ironia!) uma ditadura que censura, proíbe e suprime as liberdades de crítica, expressão e informação.
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